(Paulo Pernão na prova Portalegre em 1990, com o número 146)
No seguimento de apresentarmos uma fotografia de
Paulo Pernão a participar na prova Guadiana 500 no ano de 1988, recebemos um e-mail do piloto em questão a partir do qual foi possível recolher mais algumas informações sobre as suas aventuras em motos de marca Anfesa, em diferentes provas de competição. O piloto não estava ligado à Anfesa -
ANtónio
FErreira
SAntos, mas começou por competir com esta marca, o que para nós é uma situação que não podemos deixar de divulgar.
(Paulo Pernão na prova TransPortugal em 1991, com o número 84)
Paulo Pernão começou a competir ao comando das Anfesa com 34 anos de idade e um pouco por carolice.
Praticou Voleibol, onde foi internacional e começou a andar de mota depois de ter filhos, altura em que deixou de ser seguro continuar a passar as férias e os tempos livres com a família, num barco à vela com 80 anos. Um ano depois das primeiras voltas pelas serras, já estava a fazer competição, situação que se prolongou durante cerca de 12 anos, tendo depois deixado de andar de moto e voltado novamente aos barcos, tendo um blogue popular, o
Interesting Sailboats.
(Paulo Pernão na prova Portalegre em 1990)
Voltando às competições, a primeira participação numa prova de todo-o-terreno de Paulo Pernão foi na Guadiana 500, usando a Anfesa 175. Sendo novo nestas andanças, a par da Anfesa - cujo motor não estava preparado para responder às solicitações, os resultados conseguidos não foram os melhores.
Entretanto Paulo Pernão adquiriu uma
Anfesa RV 250, com motor Rotax, com a qual passou a competir e realizou provas durante 3 anos. A Anfesa 175 acabou por ser vendida para a zona de Coimbra.
Com a
Anfesa RV 250 o andamento já era outro. A moto andava bem, o que trazia algumas dificuldades ao piloto. Ainda assim, e falando de resultados práticos, na altura em que no Portalegre corriam cerca de 340 motos, costumava ficar à volta do 100.º lugar.
Depois passou a competir usando motorizações superiores, com motos KTM, tendo chegado a fazer um campeonato completo de TT.
(Paulo Pernão na prova Portalegre em 1991, com o número 62)
Segundo o testemunho que recebemos, a moto Anfesa RV 250 era muito boa, particularmente as suspensões que Paulo Pernão gostava de afinar na perfeição. A parte menos conseguida era a do motor, que tinha muitas baixas, mas não a potência dos motores Japoneses, se bem que não andasse longe das capacidades destes. Mesmo assim, e no auge da Anfesa, quando em 1992 organizou um troféu monomarca, Paulo Pernão classificou-se em 4.º lugar.
(Paulo Pernão na prova Raid Costa Azul em 1991, com o número 14)
Sobre a Anfesa, foram-nos avançadas algumas informações que ajudam a perceber a história da marca e a origem dos modelos produzidos.
António Santos era o concessionário Honda da zona de Alcobaça e, para além de comercializar motos, era um entusiasta das mesmas. Começou por aproveitar a existência no mercado de motores de 125 cc e 175 cc muito baratos, tendo comprado o stock de material que resultou da falência de uma empresa oriental (Coreana?...). Deste modo pode fazer motos com as motorizações referidas a preços muito convidativos.
Depois decidiu fazer uma mota mais a sério, o que iria dar origem à Anfesa RV 250. Para esse efeito foi a Itália e conseguiu uma licença para produzir uma mota de topo, a
Kram-it (Enduro e Cross), mas usando o nome Anfesa. Os quadros eram feitos na pequena oficina em Fervença, bem como toda a montagem da mota.
Na altura usavam as melhores suspensões da Marzocchi na roda da frente - as primeiras invertidas enquanto a Honda e Yamaha ainda tinham as suspensões “normais”, e suspensão da Ohlins atrás. O motor era da Rotax. Por este motivo a Anfesa RV 250 e a Kram-it RV 250 são praticamente iguais.
Agradeço a Paulo Pernão pelas informações e fotos cedidas para publicação no blogue, obrigado!