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2020/04/25

Folheto antigo blindado Chaimite V-400 MKII - Armamento de 90 mm


No Rodas de Viriato esta é a revolução que fazemos todos os dias, visando mudar a realidade para melhor.
Divulgar aspectos pouco conhecidos, relacionados com a história dos veículos fabricados em Portugal, mostrando que temos capacidade de produzir, mesmo quando faltam apoios, quando se é ignorado ou o produto final é subvalorizado.

A Bravia é uma marca que se encaixa bem nesta realidade. Mas o tempo e a história acabaram por fazer com que o blindado Chaimite V200, da Bravia, ficasse imortalizado num  marcante acontecimento da vida política e coletiva Portuguesa.

Falamos do 25 de Abril, assinalando-se hoje 46 anos deste acontecimento.
E sendo dia de festa, abrimos os nossos arquivos para um documento de peso: um folheto antigo da viatura blindada 4x4 Chaimite, modelo V-400 MK II, com canhão francês de 90 mm de calibre.

Este folheto antigo tem o formato A4, tendo 4 páginas.
Antes de analisarmos o interior, dois apontamentos importantes: No desenho técnico que ilustra a capa, na parte relativa à lateral do veículo só contamos 2 janelas, tendo o blindado Chaimite 3... Seria para ser mesmo assim; mas não foi, porque as várias versões tiveram todas a mesma base? Ou isto ainda é uma reminiscência do desenho do Cadillac Gage V100 (que só tinha duas janelas), que serviu de inspiração para o fabrico desta viatura?
Outra questão, a capa tem uma reimpressão. Por baixo do retângulo onde se lê: "Chaimite armoured car 4x4 model V-400 MK II (French Gun)", pode ler-se:
- "Outside - Chaimite armoured car 4x4 model V-400 MK I (Mecar Gun)";
- "Inside - Chaimite armoured car 4x4 model V-400 MK II (French Gun)".

Passando para o interior, vemos fotografias das torres que podiam equipar o Chaimite V 400.
As duas torres eram fabricada pela C.N.M.P. Berthiez, pesando a primeira 1850 kg; enquanto que a outra era uma versão melhorada, chamada Lynx 90 e pesava 2000 kg.
A acompanhar as fotografias estão escritas as características técnicas dos dois equipamentos referidos.

No verso podemos ver uma fotografia com os vários projécteis de 90 mm que podiam ser disparados pelas torres referidas anteriormente. Podiam ser munições de treino ou para combate, em confrontos com tanques de guerra.

As munições de 90 mm anti-tanque e A.P.C. (veículo blindado para transporte de pessoal) eram de fabrico francês, pela Lucheire ou pela G.I.A.T.

A terminar este folheto antigo do Chaimite V 400 temos os contactos do fabricante (a Bravia) e do agente de vendas, Trace S.A., situado no principado do Liechtenstein (sítio conhecido há uns anos por ser um local de lavagem de dinheiro…).

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2020/02/18

Folheto do blindado Chaimite de 1976


Uma versão base, vários modelos…
Podia ser assim a tradução do que é referido neste folheto antigo de publicidade aos blindados Chaimite, de 1976, produzidos pela Bravia, S.A.R.L.

É um folheto em formato A4, com quatro páginas, ficando num A3 quando aberto.
Na frente tem um desenho técnico (com proporções erradas?...) do blindado Chaimite visto de cima. Já no interior tem a apresentação detalhada das várias armas com que podia ser equipado, bem como as opções modulares ("torres") que podia ter.

Era a este folheto que nos referíamos quando na apresentação da miniatura do blindado Chaimite V 200 pela Automodelos, dissemos que tinha um "Poder de fogo devastador de onze portos de armas e torre".

Na parte das armas que são divulgadas há 3 possibilidades diferentes. Duas delas são de metralhadoras duplas - com Rheinmetall MG-42 ou com Browning M-37 e uma outra que combina uma Browning M-37 e uma Browning M-2. Ainda nesta parte é apresentada a cúpula que podia ser montada.

Já na parte das torres que podiam equipar este blindado, é apresentada a torre do Chaimite V-400, com metralhadora de calibre 7,62 mm e canhão de calibre 90 mm; outra que seria do Chaimite V-600 com torre de morteiros e, por fim, a versão para a polícia, com uma torre em forma de poliedro irregular, com um pequeno alçapão/escotilha em cima.

Este folheto está impresso em língua inglesa, pelo que terá sido usado para fazer divulgação no mercado internacional.
Foram produzidos 1000 exemplares deste folheto na Grafitécnica, em Novembro de 1976.

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2018/11/03

Livro Berliet, Chaimite e UMM – Os Grandes Veículos Militares Nacionais - Editora Contra a Corrente


Haver novidades editoriais sobre veículos fabricados em Portugal é sempre motivo de alegria para todos aqueles que gostam desta temática, que é tão específica, quanto apaixonante.
Por esse motivo aqui apresentamos o livro "Berliet, Chaimite e UMM – Os Grandes Veículos Militares Nacionais", de Pedro Monteiro, publicado pela Editora Contra a Corrente, em Abril de 2018 e que passado pouco tempo esgotou (750 exemplares numerados).

Para quem não conhece o livro, podemos dizer que se divide genericamente em duas partes: uma primeira, onde é feita a contextualização e resenha histórica do fabrico das viaturas e, numa segunda parte, a implicação das viaturas militares nacionais apresentadas em situações concretas, na guerra e na paz.

Pela sua antiguidade, e por ser o primeiro grande projecto de fabrico de uma viatura militar nacional, começa-se pela história da fábrica da Metalúrgica Duarte Ferreira, com os camiões Berliet Tramagal -
cruzando-se a parte da vertente civil com a militar, acabando por sobressair esta última, com as diferentes versões construídas para responder às necessidades resultantes do esforço de guerra feito por Portugal em África. Entre elas, há fotografias de um camião Berliet Tramagal GBA com semilagartas, na parte de trás.
Ao longo do livro há secções com ilustrações das várias versões de veículos militares, por marca, onde aparecem ilustrações vistas de frente e de lado, com as respectivas fichas técnicas dos veículos. Ainda a respeito dos camiões Berliet Tramagal, é abordada a intervenção estatal no pós 25 de Abril  de 1974 / Fim da Guerra Colonial; bem como o regresso da empresa à família. É aqui que são apresentadas imagens e informações dos camiões Tramagal TT 13/160 6x6 Turbo, versão militar e bombeiros, cuja existência é desconhecida por muitos.

Continuando a linha temporal - ainda relacionada com a Guerra em África; segue-se uma parte sobre os blindados Chaimite, e de outros veículos da Bravia, intitulada "Os segredos de um ícone nacional". Nela é explicado o processo de surgimento do blindado Chaimite (a partir de um blindado Commando V-100 da Cadillac Gauge), bem como os ensaios, os testes e as demonstrações realizadas em Portugal e no estrangeiro, com vista à sua comercialização.
A Bravia foi uma empresa dinâmica no que diz respeito ao fabrico de veículos para diferentes fins, pelo que nesta secção são apresentados os camiões militares Gazela e Leopardo. São ainda descritas as dificuldades sentidas em África, na Guerra Colonial, por quem lidava com estes veículos, bem como pelos representantes da Bravia que tentavam vender as viaturas um pouco por todo o mundo.
Por todo o livro há fotografias de época, e nesta secção podemos ver muitas de versões especiais do Chaimite, por exemplo com torre Mecar. Há ainda ilustrações (vistas laterais) dos blindados Chaimite usados por forças militares / policiais, em Portugal e no mundo - Líbano, Peru e pelo Exército Português na Bósnia.
Terminada a guerra, a Bravia também produziu camiões Leopardo e Gazela para os bombeiros, situação documentada no livro, tal como acontece com o período pós-falência da empresa.

Segue-se uma parte do livro sobre os jipes UMM - desta vez com o título "A grande aventura do Cournil e Alter". Também aqui é feito o enquadramento do surgimento deste projecto, bem como da produção destes jipes para uso militar. As fotografias não faltam e podemos ver versões pouco conhecidas, como um UMM ambulância, ou um com mísseis anti-carro SS-11. Há ainda espaço para se falar dos UMM da GNR e de parcerias desenvolvidas no estrangeiro, como é o caso dos franceses Heuliez VLH, ou dos UMM holandeses. Antes de se avançar no livro, é apresentada uma parte que trata dos jipes UMM em competição, especialmente no que respeita à aventura Africana; e do protótipo do jipe UMM A4.

Apesar de não constar directamente no título do livro, os blindados Pandur também têm uma secção a eles dedicada, pois também por cá foram fabricados. A necessidade de ter um novo veículo, que de alguma forma pudesse substituir os blindados Chaimite, fez com que surgisse uma nova fábrica de veículos blindados em Portugal. Nesta secção é apresentada uma ilustração do Steyer Pandur II 8x8, para além de muitas fotos do processo de fabrico e da sua utilização em contexto militar.

Numa segunda parte do livro volta-se a falar de cada veiculo, mas abordando a implicação destas viaturas militares em situações concretas; a saber:
- Camiões Berliet Tramagal e blindados Chaimite, na secção "A prova de fogo", com imagens de época, em que são abordadas as inúmeras dificuldades, trabalhos e problemas, pelos quais passaram estes dois veículos em África.
- No capítulo "Transição para a democracia" aborda-se a utilização de blindados Chaimite, de camiões Berliet Tramagal e Bravia Gazela, no período entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, estando o texto acompanhado de fotos emblemáticas, algumas delas a cores.
- Em África, nos Balcãs e em Timor - "As missões de paz". Os jipes UMM foram protagonistas principais e os blindados Chaimite continuaram a mostrar que eram robustos, mesmo com dezenas de anos de utilização, marcando presença e ao mesmo tempo impondo respeito. Em resultado das diferenças de latitudes onde foram utilizados, também se abordam as dificuldades e as adaptações feitas, de modo a que resistissem a diferentes temperaturas e condições.
- Blindados Pandur e Chaimite - "Passagem de testemunho na Lituânia", onde as duas gerações de blindados coexistiram.
- E no Épilo - "Um novo fôlego" - é descrito o (risonho) futuro reservado para alguns destes veículos, reunidos, conservados e mantidos no Museu Militar de Elvas.

Olhando para o futuro, sabemos que está a ser preparada uma segunda edição do livro, revista e aumentada. Estão previstas seis páginas totalmente novas, incluindo as reportagens com o UMM Entrepreneur holandês do Nationaal Militair Museum (National Military Museum), em Soesterberg; uma reportagem sobre o camião Berliet-Tramagal GBC, dos Bombeiros de Cacilhas e dos blindados Pandur - que vão em breve para a República Centro Africana. Ao conteúdo do livro serão ainda adicionadas dezenas de fotos novas, sobretudo nos capítulos da Bravia (por exemplo, a versão V-400 na Malásia); da UMM (mais das provas dos jipes UMM Alter, no Chile e na Holanda) e da Guerra de África (por exemplo, fotos a cores das Chaimite de Angola, bem como dos Unimog e Berliet Tramagal em África, do espólio da Liga dos Combatentes).

Quem quiser reservar um destes exemplares, pode contactar a editora Contra a Corrente, pelo e-mail:  livroscontraacorrente@gmail.com

Pode ainda aproveitar a nova campanha de crowdfunding para esta segunda edição, acção que decorre até 19 de Novembro de 2018, em: https://ppl.com.pt/prj/berliet-chaimite-umm2
Com um apoio de 25 euros, recebe um dos 500 livros numerados e um poster do camião Berliet Tramagal, em Dezembro, a tempo das prendas de Natal.

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2021/04/25

Manual de peças do blindado Chaimite 4x4 (2/2)


Quando se visita o Jardim Zoológico de Lisboa vê-se uma comunidade de macacos (ou de outros "primatas") que está num espaço rodeado de água. Deste modo os animais não saem do local, pois têm medo de atravessar a água e a instituição que os exibe não tem de os prender, usando redes ou gaiolas.

No dia em que se assinala mais uma comemoração do 25 de Abril de 1974, é assim que iniciamos esta publicação, em que apresentamos a (nossa) 2.ª parte do Manual de Peças do Blindado Chaimite 4x4 enquanto fazemos algumas considerações sobre liberdade - tema diretamente relacionado com este blindado fabricado em Portugal.

Retomando a conversa sobre os macacos para estabelecer uma analogia com a liberdade que nos é imposta. Ao longo dos anos fomos levados para uma vida supostamente em liberdade, mas onde não passamos de escravos livres e sem grilhões, ao serviço de grandes empresas e dos interesses de outros escravos (que por mandarem noutras pessoas, pensam estar numa situação diferente).

Para além das amarras impostas, também há as que colocamos voluntariamente. Basta pensar na questão da democracia, que assim que é questionada, logo alguém diz: "Pode ter muitos defeitos e problemas, mas de todos os sistemas, é este onde quero viver!".
O expoente máximo deste tipo de conversas são o país que se declara ser a referência mundial em termos de liberdades; país esse que impõe a sua vontade e interesses de duas formas: pela força, recorrendo às armas; ou pela propaganda, apresentando argumentos para convencer quem ainda não se convenceu (mesmo que sejam argumentos falsos).

A liberdade de expressão acaba por ser perversa, pois também ajuda muito à falta de liberdade efectiva. Quem quiser pode dizer o que acha, na maioria das vezes sem saber do que está a falar, ajudando à confusão. Todos achamos que percebemos muito de direita e de esquerda, mas poucos efectivamente percebem e muito menos entendem que não ficaremos melhor enquanto se dividir a realidade em dois polos, que se tocam! Se não vejamos: o que têm em comum um regime de extrema direita e um regime ditatorial de esquerda?
Resposta: o uso da violência para resolver problemas; as atitudes autoritárias perante os cidadãos; o ódio em relação a minorias (seja de origem étnica, cultural, religiosa, de orientação sexual...), tendo como base uma zona geográfica. A única diferença é que num parece que estaremos na tal ilha do jardim zoológico e no outro estamos numa jaula ou presos com recurso a redes ou muros. 

Pode parecer estranha a questão da "zona geográfica", pois o Rodas de Viriato segue esse princípio que funciona unicamente como baliza para a linha editorial. 
O blindado Chaimite permitiu-nos chegar ao ponto em que estamos, tendo cada um de nós, como indivíduo ou como coletivo lutar pelos valores em que acreditamos, de preferência valores universais - valores seguidos neste blogue, como o livre acesso à informação, a melhoria das condições de vida das pessoas, a coragem para ir mais além, a responsabilidade por tornar o mundo melhor.

E com tudo isto acabámos por não falar do manual de peças do blindado Chaimite, uma peça que permite perceber o profissionalismo da Bravia, sendo feito de forma detalhada, com esquemas, imagens e fotografias, de modo a fazer com que os blindados pudessem ser mantidos correctamente.
Nele constam uma série de fotografias do blindado Chaimite V 400, fotos essas que não aparecem na Internet ou em livros da especialidade. Mas como temos liberdade para as mostrar, aqui ficam elas! 

As algemas mais difíceis de abrir, são as algemas da liberdade!
Solta-te das tuas!
25 de Abril sempre!

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