2013/04/25

Um 25 de Abril em fotos da época


No dia 25 de Abril gostamos de recordar, e também de escrever um pouco sobre a liberdade (ver: aqui e aqui) e hoje não será diferente. E também não é diferente a linha editorial do blogue, das actualizações diárias e da publicação de material exclusivo, pelo que aqui apresentamos imagens de primeira categoria.

As imagens que apresentamos são de dois álbuns fotográficos adquiridos recentemente e que alguém fez, com fotografias de Lisboa e onde estão registados muitos instantes do pós 25 de Abril de 1974, havendo indícios que apontam para os anos de 1977 e de 1978.
Como não somos peritos em relação a viaturas militares portuguesas, pedimos ajuda a Luís Costa (aqui fica o nosso obrigado!) que prontamente identificou as viaturas que aparecem nas fotografias antigas que mostramos, num desfile militar do 25 de Abril (que começaram a realizar-se em 1976).
Na 1.ª fotografia temos um jipe Willys CJ5 4x4 do Regimento de Artilharia de Lisboa, precedendo uma coluna de camiões Berliet-Tramagal GBA6MT 2,5 Ton. 6x6, também do mesmo regimento. Pela ampliação que realizámos da fotografia, aparentemente há 6 camiões no desfile.

Segue-se uma V.T.G. Berliet-Tramagal GBC8KT 6x6 m/1966, do Regimento de Artilharia de Lisboa, que circula na Praça do Comércio em direcção ao rio Tejo.

A coluna militar continua e segue-se um jipe Willys CJ6 4x4, com volante à direita, de origem Sul-Africana.

Numa observação mais pormenorizada, foi possível identificar dois blindados, aparentemente Chaimite, da Bravia, que deixam a Avenida da Liberdade, em direcção ao Rossio.

Na fotografia anterior estão estacionados uma série de veículos, sendo que em 1.º plano temos uma grua Galion do Regimento de Engenharia n.º 1.

Do lado esquerdo da fotografia aparentemente temos mais dois camiões da Metalúrgica Duarte Ferreira.

As fotografias estão montadas nas folhas dos álbuns em grupos de 4, como se pode ver pela fotografia anterior.

Os álbuns são os que estão na imagem anterior, com encadernação da época.

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Uma vez que há mais fotografias nos álbuns que merecem ver a luz do dia, e que estão um pouco fora do tema deste blogue, aproveitamos para as mostrar e para fazer algumas considerações que fogem às linhas que anteriormente escrevemos e que servem para pensar no passado, no presente e no futuro...

Há uma fotografia da Assembleia da República onde se estava a passar algum evento significativo, pois nota-se alguma afluência de público e há uma plataforma com um operador de máquina de filmar (?), para além das faixas com a bandeira nacional.
Note-se que a escadaria está vazia. Se noutros tempos os assuntos políticos já faziam desinteressar muita gente, nos nossos dias a escadaria estaria cheia de polícia de intervenção a mando de quem quer continuar a fazer o que lhe apetece, em nome do bem e da liberdade.

A porta da Procuradoria Geral da República ainda não tinha o senhor que há uma série de anos procura ver resolvido um assunto... Em vez disso tinha as paredes conspurcadas com nomes de partidos e de figuras do poder.

Em várias fotos é possível ver escrito o nome de partidos políticos, lembrando um pouco rodas de automóvel ou postes de iluminação mijados por cães que querem demarcar território.

Era uma altura em que as pessoas se uniam para lutar por ideais... Essa coisa estranha, pois se nem com o vizinho conseguimos chegar a acordo sobre o nível de ruído no prédio; nem com o colega de trabalho conseguimos chegar a entendimento sobre o que cada um faz, como é que pessoas diferentes se entendem hoje em partidos? Tem de ser gente muito decidida a esvaziar um saco...

Várias fotos mostram eventos públicos com muitas pessoas - e não eram de um festival de música patrocinado por uma bebida de mijamento rápido ou de comunicamento vocal com assalto à carteira.
Frases como "Unidade da acção a força dos trabalhadores" ou "A unidade dos trabalhadores a garantia das conquistas do 25 de Abril" eram o mote para se sonhar com um futuro melhor.

É curioso que ninguém falava daquilo que hoje é importante... O automóvel vistoso, a barra de chocolate que se coloca encostada ao ouvido para telefonar, a casa grande com a televisão cilindrada de ecrã XL onde vejo programas em HD com apanhados gravados com o telemóvel...

A campanha nacional dos 50000 contos, que aparentemente decorreu em 1977 fez levantar muito braço no ar, e não era porque impedimos um condutor eficiente de mostrar valentia num nicho de alcatrão...

Tudo sentimentos que muitas vezes tenho receio de dizer ou expressar, porque há sempre alguém que acha que aquilo que fazemos ou dizemos está mal, não se reconhecendo como seres telecomandados por aqueles que querem esvaziar o saco, invocando a direita, a esquerda, o centro, o cimo, o baixo, o diagonal... Ou o cristianismo, o judaismo, o islamismo, o hinduismo, o budismo, o xintoísmo, o sikhismo, o bahai, o jainismo... Ou o maçonismo, o isoterismo, ou o ****lhismo!

Terminamos com uma foto do Cais das Colunas em Lisboa, do tempo em que havia barcos no Tejo (e se não iam com rinocerontes para o Vaticano, também não iam para Veneza carregados de cenas fixes de Portugal...) e do tempo em que as pessoas eram felizes com o que tinham, e andavam abraçadas e apaixonadas.

3 Comentários

Hugo Martins disse...

Entre os camiões MDF e a grua Galion, são "raspo transportadores" Allis Chalmers. O meu pai tem fotos de Ultramar com um modelo anterior.

Pedro P. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro P. disse...

Curioso ver o "Rio Azul" (navio construido em Setúbal para a travessia Setúbal-Tróia) a fazer de cacilheiro (fretamento excepcional?). Na popa do Rio Azul está o Rio Almansor que anos depois serviu a travessia Setúbal-Tróia...

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