2014/10/29

Mini Moke amarelo e agência de BES(ta)


Um bom cenário ajuda sempre a vender um veículo clássico.
Mas neste caso o carro antigo - um Mini Moke - não está para venda...

Tão somente foi apanhado junto a um edifício de linhas diferentes e o nosso olhar crítico aproveitou logo para captar o momento e falar um pouco sobre a actualidade "intemporal".
Vejamos: na nossa sociedade e meios de comunicação, a retórica é coisa que vale ouro. Já aqui falámos desta capacidade que alguns têm.

Nós também somos um meio de comunicação, e também temos retórica (e muita honestidade para assumir isso mesmo, sem iludir ou enganar quem quer que seja!).

Mas vamos por partes - vejam as duas primeiras fotos e as que antecedem esta frase... O Mini Moke amarelo é o mesmo, mas o fundo muda; e se nas primeiras o Mini Moke poderia ter um valor, nas duas últimas vale logo menos 1000 euros...
É aqui que entra e retórica e a capacidade de persuasão. Deixamo-nos influenciar por um ponto de vista e a mesma realidade tem leituras diferentes.

Com isto pretendemos falar e cascar nas ideias que são vinculadas por retóricos que são pagos para isso, bem como nas dos que falam de livre iniciativa sem nada ganhar, tornando tudo um pouco confuso e dificultando a separação do trigo e do joio.
Pois o edifício que aparece nas imagens que abrem este artigo é uma obra de arquitectura que em tempo de vacas gordas pode ser visto como uma obra de arte, mas em tempo de vacas magras pode ser visto como a obra onde se gastou dinheiro inutilmente, pondo em questão se quem o concebeu e construiu foi privilegiado ou favorecido.

Não são afirmações que fazemos, são questões que nos passam pela cabeça, tentado sempre pensar que tudo foi feito com a melhor das intenções e de forma sustentada e ponderada.
Mas quando deixamos o edifício e nos afastamos um pouco, vendo onde está inserido - numa zona de construção desenfreada, sem qualquer cuidado que não fosse o de construir em força para responder à fomentada procura de casa de férias no Algarve - neste caso em Altura - tolda-se-nos a vista e começamos a ver Ricardo Salgado e todos os engravatados que dizem "vives acima das tuas possibilidades", "tiveste mais olhos do que barriga", "não produzes o suficiente", "tens de trabalhar mais e ganhar menos", "compraste a crédito e não o devias ter feito".

Uma vez que vivemos acima das possibilidades; uma vez que tivemos mais olhos do que barriga, uma vez que não produzimos o suficiente; uma vez que trabalhamos mais e ganhamos menos; uma vez que comprámos a crédito e não o devíamos ter feito... Temos motivos para dizer que esta agência do BES é uma BESta. Simboliza uma besta de um sistema e de um grupo que tal como o Minotauro procura meninas virgens para se alimentar. Neste caso as virgens são os que acreditam no que nos querem vender, tal como o Mini Moke com o cenário bonito. Até acreditamos que vale mais!

O traquejo do contacto com as artes não nos deixa convencer, este edifício em termos de localização é como uma borbulha numa cara de uma modelo. Em vez de ser um espaço emblemático e de qualidade numa zona de construção desordenada que a arquitecta Ana Costa quis que fosse, é a erupção cutânea de algo que não está bem. O sinal que os tempos provaram ser de um grupo bancário que viveu acima das suas possibilidades; que teve mais olhos do que barriga, que não produziu o suficiente, que tem de trabalhar mais e ganhar menos, que comprou a crédito e não o devia ter feito...

Como não calçamos luvas brancas para poder dar bofetadas, dizemos:
Embrulhem ò colarinhos brancos de brilhantina no cabelo grisalho! Vão todos para o c******!

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