2011/04/25

Chaimite e 25 de Abril sempre!


Há dias, que não são dias.
Começo o texto com este dito, porque hoje é uma data especial, e porque nos últimos dias este assunto tem andado no ar.
E como é um assunto que anda no ar, e como hoje (dizem que) se comemora a liberdade, nada como pegar no assunto para aqui tecer algumas considerações.
Há dias, que não são dias. Por esse motivo apresento um vídeo em francês sobre o 25 de Abril de 1974, já que mais não seja para que vejam imagens a cores do dia que muitos associam a preto e branco ou a cinzento. É irónico que a maioria das imagens (fixas ou em movimento, isto é, fotografia ou filme) captadas por portugueses são a preto e branco, ou cinzento... E são os portugueses que têm apretobranqueado a data, sendo cada vez mais associada à nuvem cinzenta que paira pelas nossas cabeças, e que se vem formando desde esse dia.
Há dias, que não são dias. Por isso não me limito a apresentar uma imagem de um veículo de fabrico nacional. Neste texto escrevo o que penso, e pensar, a par de produzir, é coisa perigosa nos dias que correm no território que frequento. Podia optar por não o fazer, deste modo teria mais visitantes no blogue a médio/longo prazo (quando não gostamos da maneira de pensar de alguém, deixamos de seguir o que ela faz) e não me arriscava a algum comentário anónimo de conteúdo mais descartável (sim, a liberdade aqui permite isso). Afinal, mais facilmente dizemos mal, do que dizemos bem.
Há dias, que não são dias. Por isso motivo apresento vídeos dois dias seguidos... Podia dizer, como fazem os meios de comunicação onde a carneirada involuntariamente tem um pastor que seguir, seja ele de só grandes músicas, ou de uma televisão feita por si... que foi propositadamente, mas não! Ao agendar o material para estes dias de Páscoa, calhou colocar o vídeo do ciclomotor Rápida, com motor Cucciolo, e agora queria ligar a data a um veículo nacional, e a escolha foi para o vídeo francês. Confesso que gostava de ligar a data ao Fernando Tordo, de quem vi na TV (sim, também tenho o meu pastor) um videoclip onde aparecia um buggy da Tara. Depois era fazer um texto sobre "cantigas de liberdade / liberdade de andar com os cabelos ao ar / ar num descapotável da Tara".
Há dias, que não são dias. Voltando ao princípio, dizem-nos que os dias são dias, que o Sócratas não devia ter dado a tolerância de ponto. Concordo com os que dizem isso, pois sei que a decisão política não tem nada a ver com o que explicarei mais adiante, mas sim com uma mer(d)a jogada política, para que não falte o "pão e o circo" ao povo e, consequentemente, mais uma temporada de ordenhanço a quem faz jogadas destas.
Há dias, que não são dias. Por isso, da mesma forma que dei razão de existência à afirmação, digo que precisamos de dias diferentes. Dias em que não vamos trabalhar. Dias em que vemos coisas a cores. Dias em que não temos medo de não ter isto ou não ter aquilo. Dias em que a liberdade de escolha nos faz optar por mandar a um sítio que nos faz trabalhar mais, "porque a coisa está má", sem que depois parte do lucro resultante do "porque a coisa está boa para explorar" seja para quem o criou. Dias em que damos a vez a outros protagonistas, porque os que estavam no teatro já não acrescentam nada de novo. Dias em que os políticos façam o que o povo ordena, dentro de ti, ò cidade.

Há dias, que são não dias.

Por isso agora devia ir dormir, por minha escolha, numa Chaimite adaptada para quarto, sonhando com a liberdade que este veículo nos deu.

Que não são dias, há dias!

O vídeo está na página do utilizador Kubrik64 (do Youtube).

1 comentário

J.B. disse...
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