2013/07/27

Um pouco de história sobre o ciclista João Marcelino


Um dos aspectos positivos de fazer este blogue, são as colaborações que vamos recebendo e que ajudam a conhecer factos desconhecidos da maioria e esclarecer algumas dúvidas que vão surgindo pelo percurso. Afinal ninguém nasce ensinado, e nós também não.

No seguimento da publicação de uma fotografia antiga com uma bicicleta de corrida (a que está antes desta frase), recebemos um e-mail de Horácio Marcelino com informações sobre a pessoa que nela aparece (António Ferreira Salvaterra), bem como sobre a bicicleta que provavelmente terá pertencido ao ciclista João Marcelino, que foi Campeão Nacional de Fundo em Ciclismo, nos anos de 1957 e 1958.
O original da foto com João Marcelino é propriedade de Lucília Marcelino, que era irmã do ciclista, tal como Horácio Marcelino (a quem agradecemos publicamente a colaboração), num total de oito irmãos, dos quais seis ainda estão vivos e têm uma cópia do foto em questão.
Aqui fica a informação recebida que muito ajuda a esclarecer o assunto:

"Relativamente à bicicleta; sem dúvidas é de corrida porque, como referem, o guiador reflecte essa característica, o facto dos pedais estarem apetrechados de ganchos com correias e de possuir suporte para os bidons, que decerto não seriam de vidro mas de metal (talvez de zinco) para o transporte de líquidos. Quanto à chapa com o número da licença/matrícula, a mesma era de uso obrigatório, salvo quando em competição, foi assim até cerca dos anos noventa. Sobre as mudanças; na época os carretos tinham, em regra três velocidades, as mesmas eram accionadas com a ajuda do esticador que está colocado próximo da roda pedaleira e que ajustava a corrente à velocidade pretendida. Relativamente à bolsa; a mesma servia para transportar um kit de ferramentas indispensáveis para acudir a pequenas avarias e incluía os desmontadores para retirar, se necessário, os pneus, em caso de furos. Não tenho conhecimento de, na época, se produzirem bicicletas de competição no nosso país, o que era mais corrente era a sua montagem, recordo, a título de exemplo, as firmas "Martano", "Império" do antigo ciclista Império dos Santos e, no Cartaxo, a casa do José Maria Nicolau, vencedor de duas voltas a Portugal e de muitas outras provas velocipédicas. Creio que a partir dos anos cinquenta a marca "Reynolds" já era uma referência, de top, para muitos dos competidores.
Quanto à imagem e às legendas inseridas na mesma; cheguei a conhecer o António Ferreira Salvaterra, bem como todos os naturais de Arrifana (uma localidade pertencente à freguesia de Manique do Intendendente) que nesse ano foram à Inspecção Militar (dito sorteado) que decidia a sorte dos mancebos para o serviço militar. Nesse ano, integrava o grupo, um meu irmão, de nome João Marcelino, nascido a 21 de Julho de 1925 que, nessa altura, já possuía uma bicicleta de corrida, talvez até seja a da imagem, já que em Arrifana não existia outra. Dos idos "às sortes" em 1945, infelizmente, já nenhum está connosco fisicamente.
O João Marcelino, por ocasião do cumprimento do serviço militar, em Santarém, a partir de finais de 1945 e no decorrer de 1946, depois e até início dos anos sessenta, foi um destacado ciclista no meio velocipédico nacional, primeiro como independente, destacou-se pelas muitas vitórias obtidas nas chamadas domingueiras que se realizavam em diversas povoações dos concelhos de Azambuja, Cartaxo, Santarém, Rio Maior, Cadaval, etc. Também se destacou ao serviço dos Leões de Santarém e do Arroios de Lisboa tendo-se, daí, transferido para o Benfica onde, inclusive, foi campeão nacional de estrada, completou diversas voltas a Portugal, uma no terceiro lugar, e venceu diversas etapas no decorrer das mesmas."

1 comentário

Andre Cadilha disse...

Boa noite,

Tomei conhecimento desta pequena descrição, falta mencionar o nome de Francisco da Costa Marques Parente.
Francisco da Costa Marques Parente, natural de Vale da Pinta (Cartaxo, Santarém), que tem a sua estátua nesta mesma localidade foi o responsável por João Marcelino ter tido o percurso que teve como ciclista que representou o Benfica.
O meu bisavô era um empreiteiro de construção civil e de obras públicas, adepto fervoroso do Benfica que um dia chamou João Marcelino ao gabinete dele:"João eu sei que gostas muito de correr de bicicleta e eu quero ajudar-te, lá na tua terra há bom pão e bom vinho, tu trazes o pão e o vinho para as minhas cantinas e eu ajudo-te".
Desculpem mas as informações aqui prestadas têm de ser alteradas. O meu bisavô foi responsável pelas construções na Portela de Sacavém, Hospital de Alcoitão, as Termas do Vimeiro, anos 70 e 80 muitos lotes de prédios e aldeamentos foram construídos no Algarve como Quarteira, como Armação de Pera mais propriamente na zona de Alporchinhos (Lagoa).
Agradeço que tenham em consideração estes pequenos detalhes, porque muito do património que João Marcelino teve e se foi alguém deve-o ao meu bisavô.

Enviar um comentário