2013/06/29

Sobre as Conversas / Arquivo Sado/550 na Sociedade Nacional de Belas Artes


Cerca de 24 horas depois de ter estado perto do acontecimento do dia, voltei a estar no acontecimento do dia.

Poderá parecer um lugar comum, mas nada como viver as coisas na primeira pessoa. Isto porque no dia antes da conferência sobre o Sado 550 - na Sociedade Nacional de Belas Artes, estive preso no trânsito porque, segundo os meios de comunicação social de massas, uma série de manifestantes bloquearam o acesso à ponte 25 de Abril. Quando ouvi isto, pensei logo naquele sítio que tem um mini parque, mesmo antes da ponte... Afinal depois soube que esse tal "acesso à ponte 25 de Abril" foi muitos quilómetros antes, junto da zona das Amoreiras (= verdade distorcida...).
Esta situação deixa-me revoltado. Não pela atitude dos manifestantes ( pois quando soube o que tinha acontecido fiquei mais aliviado pelo tempo perdido) mas pela falta de rigor dos meios de comunicação, que normalmente são alimentados por uma única agência noticiosa e, à conta disso, fazem o mesmo que os polícias  fazem ( prendem/identificam pessoas que os têm no sítio) - lavam as suas mãos e dizem que só cumprem ordens.
Ainda bem que há quem faça o que não está dentro da lei, e ainda bem que há quem não queira ser um roda dentada no sistema (não, não me estou a referir a lobos vestidos de cordeiro, que normalmente dirigem os outros). Normalmente os tais meios de comunicação social de massas, e também os políticos no governo, apresentam estas pessoas como sendo uns libertários, uns radicais, uns papões maus. As mensagens são claras:
- Deixa-te estar onde estás e não levantes poeira;
- Tem cuidado porque tu tens um problema e há alguma coisa de errado contigo;
- Se todos têm esta bitola e tu tens outra, tu não podes estar certo e os outros todos enganados;
- Tu tens toda a liberdade que quiseres, desde que sigas as regras e faças tudo o que queremos, dentro do que está estabelecido (mais ou menos aquele frase, dita por alguém que viveu no bastião da democracia... "os nossos carros podem ter as cores que o cliente quiser, desde que seja o preto!"...).

Tudo para que tudo continue na mesma, e deste modo se perpetue a situação social, económica, ideológica das pessoas, sempre com a tocha da liberdade na mão direita!
Curiosamente antes de estar preso no trânsito, passei numa rua em Lisboa com uma bela escola profissional, que tinha uma placa que dizia "Obra da ditadura nacional...". É claro que fiquei a pensar para mim se a placa seria do tempo da escola em questão, ou se foi alguém (já na 2.ª república) que a colocou naquele sítio. No caso de ser a primeira opção, gosto desta frontalidade, dizer-se e assumir-se que se está numa ditadura. Antes isso do que me dizerem que vivo numa democracia onde pessoas como eu são uns "libertários, uns radicais, uns papões maus".
Correndo o risco de ser detido ou identificado por algo insignificante... Será que por ter os depósitos de combustível das motorizadas na garagem cheios de gasolina, ao lado de panos velhos para limpeza e de garrafas vazias que esperam por ser recicladas, poderei ser acusado de querer fabricar cocktails molotof?... Acho que sim!
Mas sim, eu sou um desses doentes diabolizados pelos meios de comunicação, só que o meu perfil fez-me ir para outras áreas...
É preciso ser doente e ter uma problema para TODOS OS DIAS VIR AQUI PUBLICAR UMA COISA e ainda TENTAR QUE O DIA DE HOJE TENHA ALGO QUE O DIA DE ONTEM NÃO TEVE.
É claro que isto tem os seus custos, mas não sei ser de outra maneira, lamento.

Mas deixando de deitar sementes libertárias, ou quem sabe, continuando!... Vamos ao cerne destas linhas que escrevo: a conferência sobre o Sado 550 - na Sociedade Nacional de Belas Artes! As minhas desculpas aos leitores e aos oradores do evento!

Foi uma oportunidade para estar onde a história está, e foi um prazer ficar a perceber mais sobre o processo de concepção, construção e fabricação do microcarro português Sado/550, pelo Entreposto.

Grande parte do tempo da conferência foi ocupado por Carlos Galamba, o designer do projecto. Foi feito o enquadramento do porquê da presença do Sado/550 na SNBA, seguindo-se relatos de uma série de factos, acontecimentos, peripécias e histórias sobre o Sado/550 que remontam à década de 70 e de 80 do século passado.

Mas a coisa não ficou por aqui, pois ainda foram apresentadas informações sobre a evolução que era prevista para o Sado/550, mas que infelizmente não viu a luz do dia!

À medida que tudo ia sendo explicado, foram apresentadas muitas (e boas!) fotografias de esboços, desenhos, testes, versões, evoluções, etc... do Sado/550.
É o que faz não se querer ser uma simples roda dentada do sistema! A tal de que falei antes.

Depois foi possível ouvir Teófilo Santos, que recentemente editou o livro "Sado 550 - O microcarro português", fazendo uma abordagem mais pessoal sobre o seu envolvimento com o Sado/550, bem como sobre aspectos mais relacionados com o depois do final da fabricação do Sado/550.
Houve ainda algum espaço para perguntas no final do evento, feitas pelas pessoas presentes. No entanto, e agora vou ser parcial, soube a pouco.
E soube a pouco porque foram 2 ou 3 perguntas, que Frederico Duarte (o curador do evento) permitiu. Certamente um facto decorrente do tempo previsto para a conferência ter sido ultrapassado, mas eu fiquei sem poder perguntar onde é que os Ximba tinham o travão de mão (sei que pode parecer um aspecto ridículo, mas um dia entenderão que faz sentido o que digo...). Mas nada como fazer as coisas dentro do que está estabelecido, como falei no início deste texto! Assim pode-se ir muito longe.

Finalizada a conferência foi possível comprar o livro recentemente editado e ver o Sado/550 de segunda série que estava em exposição no edifício da SNBA.
Termino dizendo que muitas das fotografias com desenhos e imagens de Sado/550 que apresentamos junto com este texto, viram a luz do dia graças a Carlos Galamba, a quem deixamos o nosso agradecimento. 

Agora que chegaram ao fim deste texto, acho que podem fazer uma pesquisa na Internet e ver se algum dos meios de comunicação social de massas se deu a trabalho de falar deste evento de uma maneira pessoal, ou individual... Ou se só se limitaram a transcrever a press release enviada pela organização do evento...
Antes doente e malfeitor, do que certinho e sem sabor!

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