2015/10/23

Carro publicitário com Cinal Pachancho / Adelino Lopes Nogueira


9.º aniversário Rodas de Viriato...
A fotografia que hoje mostramos consegue reunir 3 aspectos especiais. O primeiro são os ciclomotores / motorizadas Cinal Pachancho; o segundo é a empresa de Adelino Lopes Nogueira e em terceiro o fotógrafo Fernando Henriques Duarte, mais conhecido por "Rosel".
Mas indo por partes... Esta fotografia onde aparecem carros alegóricos durante um desfile na Avenida da Liberdade, no Fundão, é datada de 1955.
Em primeiro plano temos uma viatura da empresa Adelino L. Nogueira, com o telefone 52301, no Fundão. Na frente da viatura existe um cartaz de grandes dimensões que faz publicidade ao ciclomotor Cinal Pachancho - "Português de ponta a ponta" e que era produzido na cidade de Braga. Nesse cartaz onde aparece uma imagem de uma motorizada de competição ao lado de uma bandeira de xadrez é referido que os ciclomotores Cinal Pachancho têm técnica, qualidade, resistência e beleza. Deste modo temos mais uma achega para a história do início da indústria de ciclomotores em Portugal. Na parte de trás do mesmo veículo consegue ver-se um ciclomotor Cinal Pachancho e tanto na parte de frente, como em posição elevada, vários motores estacionários (provavelmente da Pachancho), sendo que junto de um deles há uma placa que diz "Para o hospital", subentendendo-se que seja uma oferta para o Hospital do Fundão. Esta oferta, para além de ser uma forma de publicidade, mostra o empenho e preocupação com a melhoria de condições de vida / saúde da população local.

Na imagem anterior podemos ver Adelino Lopes Nogueira num fragmento de uma fotografia captada por Rosel durante uma festa (provavelmente de casamento).
Adelino Lopes Nogueira nasceu por volta de 1910, tendo falecido há cerca de 25 anos. Era conhecido e respeitado na sua região, bem como fora dela, pela área de negócio em que trabalhava, relacionada com material e maquinaria agrícola e também por gostar de veículos antigos. Em termos profissionais conseguia resolver situações complicadas devido à capacidade de improviso que possuía, fruto dos tempos em que viveu. No seu dia-a-dia deslocava-se muitas vezes num jipe Fiat antigo, provavelmente um Fiat Campagnola. Possuía vários automóveis antigos da década de 20 / 30, nomeadamente um Chevrolet que usava para participar em passeios de automóveis antigos "Donas Elviras" e também gostava de motos antigas, sendo conhecido por ter uma moto Indian com amortecedor com feixe de molas na roda da frente.

Em relação a Fernando Henriques Duarte, do estúdio fotográfico "Foto Rosel", é o autor da fotografia que apresentamos no início deste texto e que nos foi gentilmente cedida para publicação pelo filho, Aires Duarte, da ADI - Aires Digital Imagem, no Fundão.
Fernando Henriques Duarte nasceu em 1911 em São Paulo de Luanda, Angola, tendo vindo para Portugal com 11 anos de idade. Durante a juventude passou pelas cidades do Porto e de Lisboa, tendo por volta do início dos anos 30 ido à Cova da Beira, onde acabou por se fixar e começar a sua carreira como fotógrafo, na então vila de Fundão. Faleceu no final da década de 90 do século passado. Como proprietário da "Foto Rosel" acabou por ser conhecido por Rosel, não só pelas fotografias de estúdio e pelas reportagens de casamentos que fazia, mas também por estar presente nos acontecimentos mais importantes da época. Por sua iniciativa fez reportagens de acontecimentos políticos, sociais, culturais, religiosos e económicos que são hoje um importante espólio que importa preservar e divulgar, pois documenta a realidade de uma zona que de outra forma não teria sido perpetuada para o futuro.

1 comentário

Anónimo disse...

Relativamente a Adelino Lopes Nogueira, haveria muito mais a dizer, visto que chegou a construir o motor de rega antes de ele ser conhecido (pelo menos por cá---- não sei dizer), fruto de um desafio feito pelo antigo director e dono do Jornal do Fundão, António Pauloro, o qual tinha no Paúl um terreno alto ao qual não conseguia fazer chegar água (o desafio foi aceite também por António Silva Carvalho, que apostou numa forma mais clássica de resolver o caso).

Adelino Lopes Nogueira, para lá de uma actividade permanente, era um homem de grande inteligência. Apenas por acidentes familiares não pode seguir estudos. Desde moço foi então colocado pela mãe num "mestre" de metais (no Fundão)onde rapidamente se destacou. Futuramente, nos seus negócios ligados à indústria motora, sempre garantiu uma secção de fundição, na qual chegava a reproduzir partes de motores antigos para recuperação e restauro de veículos históricos.

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